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Dependente Químico Agressivo

Dependente Químico Agressivo

Dependente Químico Agressivo: O Que a Família Deve Fazer?

Conviver com um dependente químico agressivo pode gerar medo, insegurança e conflitos dentro de casa. Gritos, ameaças, destruição de objetos, intimidação ou agressões físicas não devem ser tratados apenas como “parte da dependência”.

Álcool e outras drogas podem estar associados a alterações de comportamento, intoxicação, abstinência ou agravamento de problemas de saúde mental. Mas a família não deve tentar descobrir sozinha a causa de uma crise enquanto existe risco de violência.

A prioridade é proteger as pessoas envolvidas e buscar atendimento adequado.

Por que o dependente químico pode ficar agressivo?

Não existe uma única explicação.

A agressividade pode aparecer durante a intoxicação, na abstinência, em situações de fissura, após períodos prolongados sem dormir ou associada a alterações psiquiátricas e outras condições médicas.

Substâncias estimulantes, como cocaína, podem estar associadas a agitação, ansiedade, irritabilidade e paranoia. O consumo excessivo de álcool também pode alterar julgamento, comportamento e autocontrole.

Porém, é importante evitar uma generalização:

nem toda pessoa com dependência química é agressiva, e nem toda agressividade é causada pelas drogas.

O que fazer durante uma crise de agressividade?

Se a pessoa estiver muito alterada, ameaçando alguém ou apresentando comportamento imprevisível, aquele não é o momento para discutir tratamento, dinheiro, dívidas ou erros do passado.

A família deve priorizar segurança.

Se for possível fazê-lo sem aumentar o risco, mantenha distância física, facilite uma saída segura do ambiente e afaste crianças, idosos e outras pessoas vulneráveis.

Evite cercar a pessoa, bloquear sua saída, provocá-la, desafiá-la ou tentar contê-la fisicamente sem treinamento.

Se houver perigo imediato, procure ajuda de emergência.

Não tente “vencer” a discussão

Durante uma crise relacionada à intoxicação ou alteração mental intensa, longas discussões podem piorar a situação.

Frases como:

“Você vai para a clínica querendo ou não.”

“Olha o que você está fazendo com sua família.”

“Você acabou com a sua vida.”

podem aumentar o confronto naquele momento.

Quando for seguro conversar, prefira frases curtas, voz calma e distância adequada.

O objetivo durante a crise é reduzir riscos, não convencer a pessoa a mudar de vida imediatamente.

Quando a situação é uma emergência?

Procure atendimento urgente quando houver situações como:

  • Ameaça concreta de agressão;
  • Violência física;
  • Confusão mental intensa;
  • Agitação extrema ou comportamento muito desorganizado;
  • Convulsões;
  • Perda de consciência;
  • Dificuldade para respirar;
  • Dor intensa no peito;
  • Suspeita de intoxicação ou overdose;
  • Risco imediato de a pessoa machucar a si mesma ou outras pessoas.

O SAMU 192 atende gratuitamente situações de urgência e emergência, incluindo intoxicações e crises convulsivas.

Dependendo da situação, também podem ser necessários UPA, pronto-socorro ou outros serviços de emergência.

Orientações sobre o SAMU 192

E se houver violência dentro de casa?

Dependência química não justifica violência doméstica.

Quando existe agressão ou ameaça, a segurança da vítima e de outras pessoas da casa deve vir primeiro.

Se você estiver no Brasil e houver perigo imediato relacionado à violência, acione a Polícia Militar pelo 190. Para orientação e atendimento relacionados à violência contra a mulher, existe também a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.

Não coloque sua segurança em risco tentando impedir fisicamente que a pessoa saia, escondendo drogas diante dela ou retirando objetos de suas mãos durante uma crise.

O que fazer depois que a crise passar?

Quando a situação estiver estabilizada, não simplesmente finja que nada aconteceu.

Registre mentalmente ou por escrito informações importantes, como substância utilizada, quantidade aproximada quando conhecida, duração da crise, ameaças ou agressões ocorridas, sintomas apresentados e episódios semelhantes anteriores.

Essas informações podem ajudar os profissionais a avaliar o quadro.

É nesse momento que a família deve procurar orientação especializada.

Como conversar quando ele estiver sóbrio?

Escolha um momento em que a pessoa esteja em melhores condições para conversar.

Foque em acontecimentos concretos:

“Ontem você estava muito alterado, gritou, ameaçou pessoas dentro de casa e todos ficaram com medo. Isso precisa de avaliação profissional.”

Evite transformar a conversa em uma discussão sobre caráter.

O objetivo é mostrar que determinados comportamentos não continuarão sendo tratados como normais e apresentar uma alternativa de cuidado.

A família precisa estabelecer limites?

Sim.

Ajudar não significa aceitar violência, pagar continuamente dívidas relacionadas ao consumo ou permitir uso de drogas dentro de casa para evitar conflitos.

Os limites precisam ser claros e, principalmente, seguros.

A família também pode precisar de orientação profissional própria para decidir quais limites são adequados à situação.

Quando existem filhos ou outras pessoas vulneráveis no ambiente, a proteção delas merece atenção especial.

Podemos procurar ajuda mesmo que ele não aceite tratamento?

Sim.

A família pode procurar um serviço profissional mesmo antes de o dependente concordar em participar.

Na rede pública, os CAPS e CAPS AD oferecem atendimento relacionado à saúde mental, álcool e outras drogas. O Ministério da Saúde informa que o primeiro acolhimento pode ser procurado diretamente, sem necessidade de consulta marcada, e que os CAPS também oferecem suporte aos familiares.

Saiba como funcionam os CAPS

Dependente químico agressivo pode ser internado contra a vontade?

A agressividade não significa automaticamente que haverá indicação de internação involuntária.

Nos casos de dependência de drogas abrangidos pela Lei nº 13.840/2019, o tratamento deve priorizar modalidades ambulatoriais e a internação deve ser indicada quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes.

A internação involuntária depende de avaliação profissional e deve ser formalizada por médico responsável.

Portanto, existe uma diferença entre:

uma emergência acontecendo agora
e
uma avaliação sobre necessidade de internação para tratamento da dependência.

Na emergência, a prioridade é proteger vidas e obter atendimento imediato.

Depois da estabilização, a equipe poderá avaliar qual nível de cuidado é necessário.

Quem pode solicitar uma internação involuntária?

Nos casos previstos pela legislação sobre dependência de drogas, ela pode ocorrer a pedido de familiar ou responsável legal. Na ausência absoluta destes, existem hipóteses específicas previstas em lei.

Entretanto, a família não autoriza sozinha a internação.

A Lei nº 13.840/2019 determina que a internação seja autorizada por médico devidamente registrado no CRM do estado onde se localiza o estabelecimento.

Consulte a Lei nº 13.840/2019

Cocaína e agressividade

O uso de cocaína pode provocar agitação, ansiedade, irritabilidade e paranoia, principalmente em determinados padrões de consumo ou intoxicação. Complicações graves também podem incluir convulsões e alterações cardiovasculares.

Se uma pessoa que utilizou cocaína apresentar comportamento extremamente alterado, dor no peito, convulsão, perda de consciência ou outros sintomas graves, trate a situação como uma possível emergência médica.

Álcool e agressividade

Também é importante observar o álcool.

Além das alterações comportamentais durante a intoxicação, pessoas com dependência física podem desenvolver abstinência potencialmente grave após interromper ou reduzir abruptamente o consumo.

Casos graves podem envolver convulsões, alucinações e delirium tremens, exigindo atendimento médico.

Por isso, uma pessoa com consumo intenso e dependência de álcool não deve simplesmente ser submetida a uma “desintoxicação caseira” sem avaliação profissional.

A internação resolve a agressividade?

Não necessariamente.

A internação, quando clinicamente indicada, pode fazer parte do tratamento, mas é preciso compreender por que aquele comportamento está acontecendo.

O tratamento pode envolver avaliação médica e psiquiátrica, acompanhamento psicológico, tratamento da dependência, manejo de outras condições existentes, prevenção de recaídas e participação familiar.

Depois de uma internação, a continuidade do cuidado é fundamental.

7 atitudes importantes para a família

  1. Priorize a segurança durante uma crise.
  2. Não discuta tratamento enquanto a pessoa estiver muito alterada.
  3. Não tente realizar contenção física por conta própria.
  4. Proteja crianças e outras pessoas vulneráveis.
  5. Procure emergência quando houver risco imediato.
  6. Estabeleça limites depois que a situação estiver estabilizada.
  7. Busque avaliação profissional mesmo que o dependente ainda recuse tratamento.

Não espere acontecer algo mais grave

Quando agressividade, consumo de drogas e conflitos familiares começam a acontecer repetidamente, esperar pela próxima crise pode aumentar os riscos.

A família pode procurar orientação para entender qual serviço buscar, como abordar o dependente e quais possibilidades de tratamento existem para aquele caso.

Se existe perigo imediato, priorize SAMU 192, UPA, pronto-socorro ou serviço de emergência apropriado.

Para orientação sobre possibilidades de tratamento:

Atendimento e orientação 24 horas: 11 95452-1548

Precisa de orientação agora?

Conte o que está acontecendo. A equipe pode ajudar a organizar as primeiras informações com sigilo e responsabilidade.

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